03/02/2017 às 09h24min - Atualizada em 03/02/2017 às 09h24min

Tatuagens: dores e amores que extravasam o corpo

Conversávamos eu e uma amiga. (Como no Altas Horas, do Serginho, a conversa sempre vem com uma amiga). Mas é verdade. Conversávamos. O assunto? Tatuagem. O que leva as pessoas a marcarem o próprio corpo?
O que faz alguém querer ter uma marca eterna em sua pele? Algo que vai ver diariamente no espelho? Em minha opinião, o objetivo é externar algum sentimento, que é tão grande que não cabe dentro do corpo. Deixemos os modismos de lado, ok?! Aquela coisa das estrelinhas atrás da orelha ou borboletinhas esvoaçantes não contabiliza aqui.
Mas as pessoas que tatuam mesmo. Você já parou para pensar (salvo o seu preconceito bobo) o que as leva a isso? Nós chegamos a essa conclusão: sentimento!
Então, olhei para mim mesma (isso é importante eventualmente). Tenho 16. TODAS representam alguma dor imensa ou alegria enorme. Tenho a coroa e a sapatilha que representam minha princesa linda, tenho a coruja abraçada em seu filhote que representa tudo que enfrentei para ter o meu pequeno príncipe. Nas costas, uma frase da Clarice Lispector que representa a força incrível, incalculável da minha mãe, seguida pela coruja que sou eu mesma (não conto o motivo nem sob tortura) e, na costela, uma homenagem para a minha avó, traduzida pela linda frase de Renato Russo: és parte ainda que me faz forte, pra ser honesta só um pouquinho infeliz. Bom, são muitas outras, mas percebe a importância delas?
Semana dessas alguém me falou sobre tatuagem e o valor, eu ainda brinquei: olha, tatuagem é para sempre, você leva junto até quando morrer. E é verdade.
Mas o foco aqui não são as tatuagens, mas as dores, os sorrisos e amores. Muito fácil julgar quando na verdade não estamos calçando o sapato do outro. Seja amor ou dor, cada um tem um modo de agir e reagir, de alimentar, apagar, esquecer ou dar os 50 reais da tal Azevedo lá. Mas a verdade é que seguimos decepcionando uns aos outros, pois a expectativa alimentada é tão grande que sufoca, fere, não dá espaço para que os sentimentos possam fluir naturalmente.
Nós mulheres nos cobramos diariamente a necessidade de um amor. Andamos ferindo tanto os nossos sentimentos que nem mesmo conseguimos mais disfarçar.
Viver tornou-se um jogo onde o mais forte ganha e automaticamente o outro sai magoado, não é mais sobre fazer o outro feliz, e sim sobre magoar antes de ser magoado. Vivemos de máscaras e carapuças, criamos carcaças e fingimos ser o que não somos. Ter uma força que não temos. E os bons de coração que ainda sonham em se apaixonar e viver um conto de fadas seguem chorando.
Seres humanos mentem, fingem. Tatuagens não. Nelas eu confio. São dores e amores que extravasam o corpo, seguem pela eternidade. E nem a morte as separa.
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