A chuva intensa que atinge o Rio Grande do Sul já começa a provocar impactos na agropecuária. Os prejuízos, no entanto, seguem considerados pontuais pela Emater. Enquanto produtores da região Norte relatam danos em lavouras e na infraestrutura do meio rural, a produção de hortigranjeiros não tem registro de impacto no abastecimento e nos preços na Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa/RS), em Porto Alegre.
Diretor técnico da Emater, Mateus Rocha explicou à coluna que o levantamento dos prejuízos ainda está em andamento:
— Estamos começando a receber as informações. Abrimos o SISPerdas e ele ficará aberto até terça-feira (28). A partir daí teremos mais dados para repassar.
O SISPerdas, também conhecido como Sistema de Cadastro de Prejuízos, é a plataforma oficial da Emater para registrar danos provocados por eventos climáticos nas propriedades rurais.
Em Marau, um dos municípios com maior volume de chuva, foram registrados acumulados de até 298 milímetros em algumas localidades. De acordo com a chefe do escritório municipal da Emater, Edivane Ferro, há danos em praticamente todas as comunidades do município.
— Tivemos registros de prejuízos em estradas, pontes, bueiros e também nas lavouras devido ao transbordamento dos rios. As áreas mais próximas aos grandes cursos d'água foram as mais atingidas, mas há danos em todo o município porque o volume de chuva foi muito elevado em um curto período — relata a técnica.
As perdas atingem principalmente lavouras de trigo, canola, aveia e áreas de pastagens. Entre os casos mais graves está a ocorrência de erosão intensa em áreas cultivadas com trigo, o que pode elevar os custos do produtor, com a necessidade de replantio ou reaplicação deinsumos em um momento de margens já apertadas.
Na região do Vale do Taquari, o cenário ainda é de monitoramento. Em Estrela, a Emater municipal informou à coluna que o Rio Taquari começa a transbordar pelos arroios, mas, por enquanto, sem prejuízos significativos. Frigoríficos de aves instalados na região seguem com atividade industrial regular, segundo a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), mas há trabalhadores em casa diante da possibilidade de evacuação em caso de alagamentos.
Na produção de hortifrutigranheiros, a chuva apenas pode ter afastado possíveis clientes, segundo a Ceasa/RS. Há boa oferta de hortaliças, especialmente de brássicas e folhosas, e os preços seguem estáveis. Ainda assim, o complexo reconhece que, caso o período chuvoso persista, a tendência é de aumento nos preços nas próximas semanas, dependendo da evolução das condições climáticas e dos efeitos sobre a produção.