A lista de exceções ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil dividiu o sentimento de cadeias produtivas do agronegócio. De um lado, setores como o do tabaco, principal produto exportado pelo Rio Grande do Sul ao mercado norte-americano, receberam a decisão com apreensão, já que a folha permaneceu entre os itens atingidos pela sobretaxa de 25%. De outro, prevaleceu o alívio em cadeias como a apícola: embora o mel convencional tenha ficado de fora da lista de exceções, o mel orgânico foi poupado da tarifa.
No caso do setor de mel, a mobilização ocorreu há meses para demonstrar às autoridades norte-americanas os diferenciais sanitários do produto brasileiro, e uma porta aberta para futuras negociações.
— Nosso principal argumento foi o de que as abelhas africanizadas não precisam de antibióticos porque não apresentam as mesmas doenças encontradas em outros países. Isso faz com que o mel brasileiro tenha um diferencial sanitário importante — detalhou o vice-presidente da Federação Apícola e de Meliponicultura do Rio Grande do Sul (Fargs), Patric Lüderitz.
Segundo Luderitz, os Estados Unidos produzem apenas 3% do mel que consomem e dependem fortemente das importações. No segmento orgânico, aproximadamente 80% do mel consumido pelos americanos tem origem brasileira, principalmente, nas regiões Norte e Nordeste.
Tabaco teme repetir cenário de 2025
Se para os apicultores houve motivo para comemorar, no setor do tabaco o clima é de apreensão. Os Estados Unidos são o terceiro principal destino das exportações brasileiras da folha, respondendo por 9% do volume embarcado. Além disso, boa parte das empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) pertence a grupos norte-americanos.
Para o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, a medida provoca prejuízos para ambos os lados da relação comercial:
— Não é um perde-ganha. É um perde-perde para a indústria brasileira, para os produtores e também para os consumidores americanos.
O setor ainda sente os reflexos das tarifas anunciadas no ano passado. Na ocasião, 60% do volume destinado aos Estados Unidos já havia sido embarcado quando a sobretaxa entrou em vigor, na época, de 50%, levando compradores americanos a suspenderem as aquisições restantes. Com a redução temporária da tarifa para 10% no início deste ano, parte desses embarques foi retomada.
Mesmo assim, no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de tabaco para os Estados Unidos somaram US$ 88,8 milhões, queda de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Agora, a expectativa é que a nova tarifa provoque uma repetição daquele cenário, continua Thesing:
— É um produto que foi cultivado sob encomenda e é extremamente difícil de redirecionar para outros mercados.
Aliás, no caso do tabaco, não será 25%. Será a nova taxa mais 10% que estavam mantidas do último tarifaço.