O que o agronegócio gaúcho pode esperar da estação mais fria do ano

Por
3 Min

O que o agronegócio gaúcho pode esperar da estação mais fria do ano
Fernando Dias / Seapi/ Divulgação

O inverno começou oficialmente neste domingo (21) no Hemisfério Sul e, no Rio Grande do Sul, chega ao agronegócio com três pontos que devem marcar a estação: mudanças na safra de inverno, avanço do El Niño e um padrão de clima mais instável. A Emater divulga hoje o primeiro levantamento de safra, que já reflete esse início de temporada, com tendência de redução de área na principal cultura do inverno, o trigo, influenciada por fatores econômicos, como endividamento rural e cotações em baixa, e também por um cenário climático menos favorável.

No clima, a leitura é de um inverno mais úmido do que o normal, com frentes frias frequentes atuando ao longo de julho, agosto e setembro. O meteorologista da Secretaria Estadual da Agricultura e coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), Flávio Varone, destaca que o frio não deve ser tão persistente quanto em outros anos, com períodos de temperaturas mais baixas mais curtos e intercalados com fases de aquecimento.

Ainda segundo Varone, esse comportamento ajuda a explicar um inverno menos rigoroso, mas mais irregular. Na prática, significa mais alternância entre dias de chuva, períodos secos e oscilações de temperatura, o que exige atenção redobrada durante o desenvolvimento das culturas.

Esse padrão climático, vale lembrar, está associado ao avanço do El Niño ao longo do segundo semestre. Em análise da Nottus, empresa que presta consultoria meteorológica, o fenômeno já está estabelecido e deve ganhar força nos próximos meses, influenciando diretamente o regime de chuvas e a distribuição das temperaturas.

O meteorologista da Nottus Alexandre Nascimento resume o cenário como um inverno de maior variabilidade:

— A gente começa a estação ainda com características mais típicas de frio, mas ao longo do inverno a tendência é de redução da intensidade das massas de ar frio e maior alternância entre períodos de instabilidade e intervalos mais secos.

Dinâmica que exige mais atenção ao calendário agrícola, acrescenta Nascimento:

— Não é um inverno de extremos contínuos, mas de mudanças rápidas. Isso impacta diretamente o planejamento das operações no campo.

A maior presença de umidade, por exemplo, tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de inverno, mas também aumentar o risco de doenças e dificultar o manejo e a colheita em determinados momentos.


FONTE: Gaucha ZH
  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://rd3.net.br/.