27/11/2023 às 10h24min - Atualizada em 27/11/2023 às 10h24min

Operação mira casal suspeito de lavar mais de R$ 10 milhões obtidos com jogos de azar

Segundo a investigação, alvos da ofensiva comandam mais de cem casas no Estado

GZH
Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
No esquema, os envolvidos recolhem o dinheiro obtido com a jogatina e o transferem para empresas que funcionam legalmente.
A Polícia Civil realiza, nesta segunda-feira (27), operação para desarticular um grupo
suspeito de lavagem de dinheiro com valores obtidos junto a casas de jogos de azar que funcionam no Estado. Conforme a polícia, o esquema ocorre há mais de 10 anos e é comandado por um casal que reside em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Eles teriam movimentado mais de R$ 10 milhões ao administrar os locais, que funcionam com máquinas caça-níqueis.
A ação foi deflagrada por volta das 6h e segue andamento por volta das 10h.
Policiais cumpriram sete mandados de prisão preventiva em Novo Hamburgo, Tramandaí e Gravataí. Todos os procurados foram presos, segundo as equipes. A Polícia Civil não divulgou o nome do casal preso, mas GZH apurou que se trata de Gilberto da Silva e Joselaine Guterres.
Para a ação, também foram expedidos quatro mandados de busca e apreensão de veículos em Pelotas e Viamão. Dois deles foram localizados, uma Ford Ecosport e um Nissan Kicks.
O trabalho é comandado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil, de Viamão. Até as 7h40min, todos os sete suspeitos haviam sido presos.
Conforme o delegado Guilherme Calderipe, à frente da operação, o principal alvo da ação é o casal do Vale do Sinos, suspeito de controlar o esquema ilegal "há décadas". A investigação indica que eles administram mais de cem casas em diversas cidades gaúchas.
Como funcionava o esquema
No esquema, os envolvidos recolhem o dinheiro obtido com a jogatina e o transferem para empresas que funcionam legalmente, misturando o dinheiro sujo para dar aparência lícita aos valores. Conforme a polícia, somente na conta bancária de uma empresa da mulher investigada, foram  movimentados mais de R$ 10 milhões nos últimos três anos. O negócio, que funcionaria de fachada, está registrado no ramo de eventos.
Os demais alvos dos mandados de prisão seriam os responsáveis por atender nas jogatinas, atuando junto com o casal.
Segundo o delegado, apesar de os investigados já terem sido alvo de outras operações policiais, seguiam atuando com o esquema de jogatina.
— A atividade junto a casas de jogos de azar é considerada uma contravenção penal, algo que não costuma resultar em prisão. Por isso, mesmo que a polícia já tenha ido a esses locais, feito operações, eles seguem atuando.Mas nossa investigação e operação desta segunda-feira foca na questão de lavagem de dinheiro, que conseguimos comprovar junto a Justiça e obter os mandados de prisão — explica Calderipe.
A ação desta segunda é um desdobramento de uma operação realizada em maio deste ano, que cumpriu 57 ordens judiciais em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Segundo o delegado, com objetos apreendidos naquela ocasião, como celulares dos envolvidos, foi possível verificar a ligação do grupo com a lavagem de dinheiro e solicitar as prisões.
Na ação de maio, também foram sequestrados judicialmente quatro imóveis que pertenceriam ao grupo, quatro automóveis, uma lancha e bloqueadas seis contas bancárias. Dos imóveis sequestrados, dois pertenceriam ao casal: uma residência avaliada em mais de RS 1 milhão em Novo Hamburgo e outra na beira-mar de Tramandaí.
— Principalmente esse casal vinha acumulando uma verdadeira fortuna nos últimos anos, um patrimônio que estava crescendo bastante. A atuação do homem, especialmente, era bastante conhecida no meio. Anos atrás, ele foi entrando neste esquema e atualmente é um dos maiores exploradores de jogos de azar do Estado — pontua Calderipe.
Casas tinham máquinas manipuladas, diz polícia
Segundo a polícia, as equipes conseguiram localizar mensagens trocadas entre os envolvidos pelo celular. Além de repassarem informações sobre o lucro obtido a cada dia, eles também faziam alertas sobre máquinas que estariam dando prejuízo, entregando muito dinheiro aos jogadores, conforme a investigação.
 — Olhando as conversas, a gente consegue ver todo o esquema. Eles ficavam combinando, avisando os funcionários que programam as máquinas sobre qual estava premiando muito. E os jogadores lá, acreditando que poderiam ganhar dinheiro — analisa o delegado.

Segundo Calderipe, o público que frequenta estas casas, na sua maioria, é de idosos. O delegado afirma que os locais sequer ficam escondidos: alguns funcionam em espaços movimentados de cidades gaúchas.
— Em Pelotas, por exemplo, tem ao menos duas casas de jogos deles que ficam bem no centro da cidade. Claro que não tem letreiro, anúncio, para não chamar atenção, mas também não são lugares escondidos. São galpões, casas antigas, para receber bastante gente, em lugares que não são difíceis de encontrar.
Pagamento de propina
 
Ainda conforme a investigação, algumas mensagens trocadas pelos envolvidos indicam pagamento de propina para integrantes de forças de segurança para evitar batidas nas casas de jogos e receber informações privilegiadas sobre possíveis operações. As equipes apuram quem participaria do esquema.
Contraponto
 
GZH tenta contato com a advogada Maria Carolina Peres Soares Gschwenter, que atende o casal preso, para posicionamento.

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