01/10/2019

Raquel Brugnera

Entrevistas

Como nossa conduta política influencia nossas expectativas sobre o atual governo? 
Fazer um esforço para atravancar os planos do governo é tão prejudicial ao país quanto exigir que o atual presidente resolva tudo sozinho em poucos meses. Não é assim que funciona o presidencialismo, ele é baseado em três poderes – EXECUTIVO que é o governo – LEGISLATIVO, que são os deputados e senadores - JUDICIÁRIO, que são os ministros, desembargadores, promotores de justiça e juízes. 
O trio deve andar juntos para que nenhum deles se sobreponha e comece a atuar como um ditador, então não espere que num país democrático, pautado no presidencialismo, um Presidente da República possa demitir juízes do Supremo e mandar prender corruptos eleitos pelo povo, isso não cabe ao presidente, mas percebo uma parcela dos Bolsonaristas desapontados ao perceberem que Jair Bolsonaro não tem tanto poder como eles imaginavam que um presidente teria. 
Mas já pensaram de onde veio essa nossa percepção de que o Presidente da República era tão poderoso e podia decidir tudo no país? Vem da nossa história política recente, onde Lula governou o com mãos de ferro, agradando ao povo com benefícios financeiros - que podem ter feito a diferença na vida dos cidadãos matando-lhes a fome, mas que representam uma “esmola” se compararmos com os acordos que Lula fez com os grandes empresários para lotear as empresas do estado, ou, para enriquecer os amigos donos de frigoríficos e empreiteiras, financiadores das campanhas do PT; além de enviar dinheiro de nossos impostos aos países de mesma ideologia política. 
O que eu quero dizer é que não percebíamos que um presidente da República não tinha tanto poder assim, porque Lula fez acordos para governar e fazer tudo o que fez (de bom e de ruim, porque mesmo tecendo críticas contra o tipo de administração exercida pelo PT, sou capaz de compreender que houve um avanço significativo entre o Brasil de Fernando Henrique Cardoso e o Brasil de Lula). 
Mas e agora, que nós descobrimos que Lula só tinha poder porque comprou o silêncio da mídia e o apoio dos opositores com cargos, propinas, benefícios e empréstimos bancários? Como vamos agir, politicamente falando, depois de concluirmos que o país só anda se houver harmonia entre os poderes e um não barrar as decisões do outro? Vamos continuar exigindo que Jair Bolsonaro faça papel de chefe de polícia e saia prendendo os corruptos do STF, da Câmara e do Senado, ou vamos exigir que ele aja como um administrador temporário de uma empresa que está em crise? Afinal, é isso que um presidente é: um administrador eleito para um cargo temporário e que deve ocupar-se com normas, regimentos, reformas, vetos, acordos financeiros lícitos, que tragam vantagens para o país ao invés de emprestar nossos impostos para fortalecer ideologias, ou, construir obras em lugares que brasileiro algum irá usufruir. 
Cabe à Polícia Federal investigar os políticos, juízes, banqueiros e empresários que de alguma forma contribuíram com o esquema que retirou de nós, brasileiros, as melhorias em hospitais, escolas e asfalto. Não havia dinheiro para manter nossa infraestrutura porque ele estava alimentando o silêncio dos envolvidos.  
Em suma, quanto mais poderoso for o presidente, mais acordos de governança ele fez. E neste caso, me sinto mais confiante com o atual governo por um motivo bem simples: ele é tão vigiado pela oposição, que caso tente fazer um acordo ilícito com alguém será imediatamente denunciado e desmoralizado; ou alguém aqui vai tentar me convencer que um deputado do PT, ou do PSOL, deixariam passar uma chance de desmascarar Jair Bolsonaro diante dos patriotas que o acham honesto? Certas coisas custam bem mais do que dinheiro... Finalmente deveremos ter um governante não corrupto, se não pelo caráter, por medo de ser denunciado. 
E o presidente sabe disso, tanto que no discurso de posse ele falou: ‘Não podemos errar, se errarmos sabemos quem poderá voltar’.  
Concordo, a esquerda está a postos, esperando Jair errar para voltar com tudo... 
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