24/03/2021 às 15h41min - Atualizada em 24/03/2021 às 15h41min

Período de menor produção deve mexer com o preço do leite no RS

Depois de bater no fundo e estabilizar, o preço do leite tende a mudar o sentido daqui para a frente. A projeção é feita com base na sazonalidade da produção no Rio Grande do Sul. Março e abril são meses da chamada entressafra, quando o volume captado recua em torno de 25%. Habitualmente, essa redução na oferta costuma vir acompanhada da retomada no consumo, que cai nos meses de férias. São fatores que puxam para cima os valores. 
O valor de referência ao produtor para março está projetado em R$ 1,37 pelo Conseleite, conselho paritário que reúne o setor. É a quarta redução mensal seguida, mas já em um patamar de estabilidade — recuou 0,73% sobre o consolidado de fevereiro.

— Estamos entrando em um período de entressafra e, nos próximos dias, teremos uma redução mais acentuada da coleta de leite no campo. Isso deve impactar nos preços ao consumidor — projeta Alexandre Guerra, vice-presidente do Sindilat-RS e representante das indústrias no Conseleite.
O dirigente explica que, no período de redução da produção, os custos fixos da indústria aumentam, porque é preciso manter a mesma estrutura para processar um volume menor.

Tanto indústria quanto produtores apontam a necessidade de fazer frente ao aumento de custos, que têm desequilibrado as contas. Entre os itens de maior peso estão milho, fertilizantes e combustíveis. Outra influência negativa vem da variação cambial, que encarece insumos. 
A amplitude desses aumentos tem anulado o novo patamar de preços do leite — o valor atual de referência ao produtor é 11,78% maior do que em igual período do ano passado.

— Não acompanha os custos. Só o milho subiu 130% e os fertilizante, 25%. A margem do produtor está cada dia mais achatada — observa Eugênio Zanetti, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS). Da mesma forma, Guerra pontua que os laticínios ficaram os dois primeiros meses do ano com prejuízo, por conta do gasto maior no momento em que o consumo arrefeceu:
— Dependemos da recuperação para sair do vermelho.

O retorno do auxílio emergencial traz a expectativa de efeito positivo, mas de alcance diferente visto que será menor. Com poder de compra reduzido, o consumidor vai focar em produtos que sejam mais em conta.

 
 
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