01/09/2020 às 10h42min - Atualizada em 01/09/2020 às 10h42min

Operação “Marias” é deflagrada pela BM em 74 municípios do Estado

Site - bm.rs.gov.br
Em busca de fortalecer as ações de fiscalização no combate à violência doméstica e familiar contra mulheres, a Brigada Militar deflagrou a Operação “Marias” nesta segunda-feira (31). A ofensiva, que ocorreu em 74 municípios do Estado que possuem Patrulhas Maria da Penha, encerrou uma série de ações realizadas em agosto, mês que marca os 14 anos da Lei que dá nome aos patrulhamentos e segurança às pessoas do sexo feminino.
Fiscalizando o cumprimento de medidas protetivas de urgência e prestando apoio às vítimas de violência por razões de gênero, Patrulhas Maria da Penha da BM deram mais um importante passo na luta por igualdade e respeito às mulheres. Incrementando as ações de rotina, a Operação “Marias” reforçou, das 9h às 17h de hoje, o que preconiza o programa - acompanhar a situação pós-delito e agir na prevenção de futuros casos, incentivando as mulheres a denunciarem - e realizou visita a 550 vítimas, apreendeu armas e munições e efetuou a prisão de agressores.
Além das ações que visaram proteger as vítimas de seus agressores, sobretudo as que estão em situação de vulnerabilidade e correm mais riscos, policiais militares também doaram alimentos, materiais de higiene e agasalhos. Os itens foram arrecadados através da Campanha Caixa Lilás, lançada pela Brigada Militar neste mês de agosto.
“Conseguimos fazer um trabalho muito eficiente, ajudando essas mulheres vítimas de violência doméstica, que muitas vezes guardam para si e não tem coragem de registrar a ocorrência. Hoje estamos aqui, em diversas patrulhas e municípios, oferecendo o apoio e suporte necessários para que consigam se reerguer na vida”, disse a Soldado Bohn, presente na atuação desta segunda-feira e que há dois anos integra as Patrulhas Maria da Penha.
Vítima de seu ex-companheiro, Luciana* sofreu violência psicológica e física. Com medo e vergonha, fez o que a maioria das mulheres, pelos mesmos motivos que o seu fazem e se calou. “Eu nunca contei nada para ninguém e as coisas foram ficando cada vez piores”. A mudança de comportamento veio, somente, após novos casos de agressão, descoberto por um familiar. Ele, então, a levou para realizar a denúncia, o que a deixou amparada pela medida protetiva e sob cuidado das Patrulhas Maria da Penha. “Se hoje eu estou aqui, estou bem, é por todo esse apoio que eu recebo da Caixa Lilás e recebi da patrulha (Maria da Penha)”, conclui.
Assim como Luciana*, Carla* também passou por episódios violentos, cometidos pelo ex-namorado. “Ele sempre dizia que iria mudar, que seria a última vez. Até que um dia eu me vi desmaiada no sofá, de tanto apanhar”. Hoje, depois de buscar o apoio da Brigada Militar, ela também faz parte do programa, que monitora recorrentemente os status de sua situação e se o agressor está cumprindo o que foi imposto pelo poder judiciário do Estado, evitando que novos casos de abusos sejam praticados contra ela.
 
Dados comprovam a efetividade nas ações das forças de segurança gaúcha
 
Conforme o último balanço mensal divulgado pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, no dia 13 de agosto, os indicadores de violência contra a mulher vêm caindo nos últimos meses. No acumulado de janeiro a julho deste ano, em comparação ao mesmo período de 2019, os casos de ameaça, lesão corporal e tentativas de feminicídio apresentaram baixa significativa. O crime de abuso não diminiu, mas se manteve estável.
Coordenadora Estadual das Patrulhas Maria da Penha (PMPs) da Brigada Militar, a Major Karine Pires Soares Brum ressaltou o trabalho articulado e integrado de todos os órgãos da rede de proteção à mulher, que atuam diuturnamente para seguir reduzindo esses indicadores, citando a ofensiva desta segunda-feira como reflexo. “Esta operação, neste mês dedicado ao combate da violência doméstica, pretende incrementar as ações realizadas, realizar prisões de agressores por descumprimento às medidas protetivas de urgência e também apoiar às vítimas que estão em situação de vulnerabilidade social, agravada em razão da pandemia.
Ao todo, essa edição da Operação “Marias”, em 550 vítimas visitadas, apreendeu duas armas e 132 munições e efetuou a prisão de oito indivíduos. Ainda foram distribuídas 687 cestas básicas e 4.091 agasalhos. Para a realização da operação, 172 policiais militares foram divididos em 73 patrulhas, atendendo um total de 74 cidades gaúchas.

*Para proteger as fontes, os nomes verdadeiros das entrevistadas foram trocados. A reportagem, então, utilizou “Luciana e Carla” para representar as vítimas.

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OPERAÇÃO MARIAS
OP Marias Crédito: Brigada Militar

Texto: Estagiário Guilherme Maia Gonçalves/PM5
Card e vídeo: Funcionária Civil Adriana
Publicação: Soldado Janaína Zelinski/PM5

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