07/01/2020 às 15h17min - Atualizada em 07/01/2020 às 15h17min

Estiagem acende sinal de alerta nos municípios

Lavouras de milho, soja e pastagens são as mais afetadas no Estado

A falta de chuva está afetando a produção de milho, soja, leite e fumo em diversas regiões do Rio Grande do Sul. De acordo com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), os estragos causados pela estiagem observados neste ano são superiores aos eventos anteriores. Segundo o secretário em exercício de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Luiz Fernando Rodrigues Junior, dos 61 municípios responsáveis pela maior produção de milho no Estado, 56 apresentaram precipitação até 43% mais baixa. "O milho sustenta a proteína animal, o que afeta o leite", afirma Rodrigues.

Entre os municípios mais afetados, de acordo com o secretário em exercício, estão Ijuí, Não-Me-Toque, Passo Fundo, Pelotas e as regiões do Planalto e do Vale do Rio Pardo, mostrando que o evento climático envolve diferentes regiões gaúchas. A Emater/RS vai divulgar um levantamento até o fim desta semana sobre o impacto da seca no Estado.

O secretário frisou que a estiagem, apesar de ser um fenômeno histórico no Rio Grande do Sul, apresenta maior intensidade neste ano. "A cada 10 anos, sete registram comprometimento do potencial produtivo das pastagens. Desde a safra de 2012 ou 2013 não houve prejuízo nos níveis que se está verificando atualmente", afirma. 

Rodrigues explicou que a tendência da estiagem, após estudo dos dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é amenizar. "A partir de quinta-feira, a carência hídrica já deve ser suprida. Na segunda metade de janeiro, as regiões que estão sofrendo devem apresentar uma umidade maior. A parte Oeste e Norte deve ser normalizada em fevereiro."

Cidades estão decretando situação de emergência em decorrência das condições climáticas. O município de Chuvisco foi o primeiro, no final de dezembro. A plantação de fumo sofreu maior impacto na região. Durante o mês, segundo relatório da Emater/RS, a falta de chuva afetou principalmente as safras de milho e soja em diferentes regiões do Estado. 

Camaquã decretou situação de emergência na sexta-feira (3). Segundo nota do governo do Estado, "Maquiné abriu protocolo no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), mas ainda precisa preencher formulários e inserir documentos para dar andamento ao processo". O prefeito de Venâncio Aires, Giovane Wickert, assinou o decreto para situação emergencial nesta segunda-feira, após uma equipe técnica da prefeitura ter percorrido diversas regiões no interior do município. Em nota, o município afirmou que "a estiagem já causa danos e prejuízos aos produtores rurais de mais de R$ 40 milhões em Venâncio Aires e as perdas quantificadas são consideradas irreversíveis e abrangem mais de 1,5 mil famílias". A região concentra boa parte da produção gaúcha de tabaco.

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) enviou ofício ao presidente Jair Bolsonaro, à ministra da Agricultura, Teresa Cristina, ao governador do Estado, Eduardo Leite, e ao secretário estadual da Agricultura, Covatti Filho, que está em viagem, relatando o impacto da estiagem sobre a agricultura. O presidente da Fetag-RS, Carlos Joel, solicitou "a criação de um grupo de acompanhamento para tratar a situação e discutir soluções que amenizem os prejuízos dos agricultores e das agricultoras".

O secretário em exercício confirmou a criação da comissão. A federação deve se reunir na próxima quinta-feira (9), às 14h, na sede da Famurs, com todas as entidades do setor e o governo do Estado para, segundo nota, "debater e encaminhar possíveis soluções para o problema".

Defesa Civil distribui reservatórios de água

A Defesa Civil Estadual começou nesta segunda-feira a emprestar reservatórios móveis de água para amenizar os efeitos da falta de chuva. Os reservatórios de 3,5 litros de água potável podem ser utilizados em bairros ou área rural, dependente da necessidade do município, para o abastecimento de moradores.

O coordenador do órgão, Coronel Julio Cesar Rocha Lopes, afirmou que ao longo de 2019, um total de 22 municípios foram beneficiados. Decorrentes da estiagem, até o momento, apenas Camaquã e Chuvisca receberam os reservatórios.

"Estamos observando quebras de recorde de temperaturas. Então o impacto vai ser substancial principalmente na agricultura. Lavouras inteiras podem ficar comprometidas", diz Lopes. A Defesa Civil ainda não realizou o levantamento sobre o impacto da estiagem.


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