20/03/2018 às 10h00min - Atualizada em 20/03/2018 às 10h00min

Cuidados básicos ao ingressar na Piscicultura

Henrique Bartels/Escritório Central da EMATER-RS/ASCAR
O local onde está ou será construído o viveiro é muito importante do ponto de vista da origem, da quantidade e da qualidade da água. Fatores climáticos como as temperaturas média, mínima e máxima, a precipitação e a distribuição das chuvas são fatores que determinam alguns dos cuidados que devemos ter no momento de planejar um empreendimento para a piscicultura. A temperatura é um dos principais fatores que determinam a espécie a ser cultivada. Precipitações muito baixas ou mal distribuídas podem não atender as necessidades de água para a plena produção. Ou, de outra forma, precipitações torrenciais podem prejudicar a conservação dos taludes e até mesmo de todo o viveiro. O tipo de solo, a declividade do terreno e o tipo de vegetação dos arredores do viveiro também são fatores que influem na quantidade, na qualidade e na retenção da água dentro do viveiro. Solos arenosos apresentam dificuldade de compactação dos taludes com vistas a evitar as infiltrações. Terrenos muito inclinados podem dificultar e encarecera construção dos viveiros. Então, o agricultor, acompanhado do técnico, deve fazer a leitura do cenário, considerando todos os fatores de produção: tipo de solo, disponibilidade de água, vias de acesso, rede de energia elétrica, disponibilidade de alimentos, custo da mão-de-obra, etc. Portanto deve ser feita uma avaliação criteriosa da conveniência de implementar uma criação de peixe com base em todos os aspectos examinados. Considerando estes pontos, a leitura do cenário é determinante no tipo de criação de peixes que pretendemos desenvolver.

Pontos a considerar por ocasião da construção do viveiro:
 
1.Dimensões do viveiro
2.Inclinação dos taludes
3.Profundidade
4.Largura da crista
5.Inclinação do fundo
6.Compactação
7.Estrutura para controle de entrada e saída de água
8.Proteção dos taludes
9.Canais de abastecimento e descarga
Origem e qualidade da água
 
A água de um viveiro de peixe pode ter várias origens. Pode vir a chuva que cai diretamente sobre a superfície do viveiro, pode ir de um rio, de um riacho, de uma sanga, da água que passa por uma floresta ou por uma pastagem, da água que escorre de uma lavoura e até mesmo pode vir das ruas da cidade. Ela também pode ser uma combinação das águas de várias origens misturadas em proporções muito diferentes de acordo com o viveiro, mesmo dentro da mesma propriedade. É muito importante que se conheça a quantidade de água disponível e as necessidades da criação de peixe. O técnico pode contar com a vivência de produtor e de seus vizinhos que conhecem a história do local e disponibilidade de água. A análise da água é a forma mais eficiente de medir a sua qualidade, muito embora o produtor ou o técnico, com larga experiência, observando a cor, o cheiro e o gosto, ou até mesmo sentindo a temperatura, e conhecendo o viveiro por algum tempo, especialmente em casos extremos, possam emitir um parecer sobre alguns aspectos da qualidade da água. Algumas medidas como as de temperatura e de transparência, não necessitam de reagentes, são de baixo investimento e consideradas fáceis de realizar. Para outras análises como oxigênio, pH, amônia, nitrito, dureza e alcalinidade, além da demanda de mais tempo, ainda se tem o custo de aquisição dos reagentes. Já outras análises como de oxigênio e pH também podem ser realizadas por meio de aparelhos eletrônicos que realizam as análises com mais rapidez mas com investimento inicial maior quando comparado com os outros métodos citados anteriormente. Algumas empresas, no Brasil, se especializaram em produzir e comercializar kits apropriados para a piscicultura contendo reagentes, por exemplo, para análise de pH, oxigênio, amônia, nitrito, dureza, alcalinidade e gás carbônico.
                De acordo com a literatura especializada existem alguns parâmetros que são perseguidos quando se trata de qualidade de água para a piscicultura. Alguns níveis sugeridos como desejáveis estão apresentados a seguir.
Indicador                                                                              Desejável
Transparência                                                           30-50
pH                                                                                          6,5–9,0
Alcalinidade total (mg/L de CaCO3)                         50-150
Dureza (mg/L de CaCO3)                                                      50 -150
Amônia tóxica (NH3)                                                 < 0,05
Nitrito (mg/L)                                                                        < 0,3
 
Pontos a considerar:
1.Temperatura da água
- Relação com o consumo de alimento
- Relação com a atividade
- Relação com o momento de adubar
2.Transparência da água
- Faixa de transparência recomendada
- Relação com o oxigênio
- Relação com a adubação
- Risco para os peixes
3. pH da água
- Faixa recomendada
- Relação com a aplicação de calcário
- poder tampão
4. Dureza e alcalinidade
- Faixa recomendada
- Relação com a aplicação de calcário
5. Amônia e nitrito
- Efeitos tóxicos
- Níveis máximos recomendados
 
Calagem do viveiro
 
Os solos do Rio Grande do Sul, em seu estado natural, são predominantemente ácidos. E por consequência a água dos viveiros, construídos nestes solos, de uma maneira geral, também apresentam níveis de alcalinidade e dureza abaixo dos mínimos considerados para o bom desenvolvimento dos peixes (20 mg/L para ambos os parâmetros). A baixa alcalinidade pode levar a maiores flutuações diárias no pH o que pode prejudica o desenvolvimento dos organismos aquáticos. Assim viveiros construídos em solos ácidos tendem a ser de baixa produtividade. Em vista disto, para aumentar a produtividade, se faz a calagem, isto é, se faz a aplicação de calcário agrícola a partir dos resultados da análise de solo ou através da medida da alcalinidade da água, caso o viveiro estiver cheio. A época de se fazer a calagem é antes de se fazer a adubação. Geralmente se faz a calagem por ocasião da despesca quando se faz o esgotamento do viveiro. No entanto também pode-se fazer com o viveiro cheio. O importante é que a distribuição do calcário seja feita de maneira uniforme em toda a área alagada.
 
Pontos a considerar:
1.Análise do solo;   2.Análise da água;   3.Tipos de materiais para a calagem;   4.Dosagens;   5.Tipo de aplicação;   6.Época de aplicação;   7.Modo de distribuição
 
Adubação do viveiro
 
A adubação dos viveiros pode ser feita tanto com adubos orgânicos quanto com adubos químicos. A decisão por um ou outro tipo ou a mistura dos dois depende do custo, da disponibilidade e da conveniência da utilização de cada um dos produtos na propriedade. Também depende das outras atividades desenvolvidas na propriedade para as quais também se utilizam adubos. É preciso olhar todas as atividades desenvolvidas dentro da propriedade e examinar onde é mais conveniente aplicar cada tipo de adubo uma vez que cada cultura tem uma exigência por nutrientes. Especialmente no caso da piscicultura onde dificilmente se justifica a adubação com potássio que também faz parte dos adubos orgânicos. Se começa a aplicação de adubo no viveiro quando a temperatura começa a aumentar e ultrapassa os 16º C, geralmente na primavera, sempre respeitando um tempo após a aplicação do calcário. As quantidades a serem aplicadas dependem das condições da água, especialmente da transparência. Viveiros com pouca transparência, menor do que 50cm, medida com o disco de Secchi, não se recomenda a aplicação de adubo. Outro fator que também influi na adubação é a alimentação dos peixes. A adução deve ser suspensa quando a oferta de alimento ultrapassar 20 kg por hectare por dia. A partir disso as sobras de ração, por pequenas que sejam, e a
excreta dos peixes são suficientes para adubar o viveiro. As quantidades a serem aplicadas a cada 15 a 20 dias dependem da transparência da água, mas apenas como referência elas giram em torno de 3 kg de nitrogênio e 9 kg de P2O5 por hectare.
 

Pontos a considerar:
1. Necessidade de adubação – medida através do disco de Secchi ;
2. Tipos de adubo ;
3. Dosagem ;
4. Época de aplicação .
 
As espécies de peixe
 
                        No Rio grande do Sul as principais espécies cultivadas são a carpa capim, a carpa húngara, a carpa prateada e a carpa cabeça grande, que representam mais de 70% do total produzido e, em geral no sistema de policultivo. Em menor escala cultiva-se também a tilápia e o jundiá. No caso do policultivo se recomenda inicialmente a distribuição das espécies nas seguintes proporções: 35% de carpa capim, 35% de capa húngara, 15% de carpa prateada e 15% de carpa cabeça grande, numa relação de um peixe para cada quatro metros de espelho d’água. Estes números servem apenas como referência, especialmente para aqueles que estão começando na atividade. Inclusive tanto o jundiá quanto a tilápia também podem ser introduzidos no policultivo. As proporções entre as espécies e o maior ou menor adensamento dependem das condições do viveiro e da avaliação do produtor, e do técnico, quando for o caso.
Pontos a considerar:
 
1. Características da espécies
2. Hábito alimentar
3. Policultivo
 
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