22/09/2021 às 16h19min - Atualizada em 22/09/2021 às 16h19min

Pampa gaúcho perdeu 21,4% de vegetação nativa nos últimos 36 anos, aponta estudo

Caracterizado por longas planícies e plantas de pequeno porte, o pampa gaúcho foi o que mais perdeu vegetação nativa nos últimos 36 anos, proporcionalmente ao total da sua área no Brasil. Esta conclusão é fruto da análise de imagens de satélites entre 1985 e 2020, feita pela rede MapBiomas, por meio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da GeoKarten.

Segundo menor bioma brasileiro, o pampa perdeu 21,4% de sua mata nativa, ou seja, 2,5 milhões de hectares, nos últimos 36 anos. Atualmente, a vegetação original responde por menos da metade (46,1%) do seu território.

A redução se deu, principalmente, devido ao avanço da agricultura, que ganhou mais de 1,9 milhão de hectares de área do bioma – a atividade ocupava 29,8% do pampa, em 1985, e usava 39,9% do território em 2020.

Já as formações campestres ocupavam 46,2% da área em 1985, mas eram apenas 32,6%, em 2020.

– A substituição da formação campestre pela agricultura favorece a perda de biodiversidade e liberação de carbono na atmosfera, contribuindo para o efeito estufa. Mas é também um desvio de uma vocação econômica natural do pampa – alerta Heinrich Hasenack, coordenador do mapeamento.

Hasenack explica que, ao contrário da floresta Amazônica ou do cerrado, onde é preciso desmatar para criar gado, no pampa a vegetação nativa é um pasto natural, o que permite que a pecuária se desenvolva preservando a paisagem. A atividade, contudo, tem perdido espaço.

– Apesar de estar na tradição gaúcha, na história da ocupação do bioma e de ser uma atividade que, no pampa, é mais alinhada aos desafios do século 21 de preservação da biodiversidade e redução das emissões de carbono, a pecuária sobre campo nativo está perdendo espaço para a agricultura, notadamente a soja – detalha Hasenack.

O avanço da agricultura sobre a vegetação nativa foi mais acentuado nas regiões da Fronteira Oeste, Planalto Médio/Missões, Zona Costeira e leste da Campanha. Os cinco municípios que mais perderam vegetação natural nos últimos 36 anos foram São Gabriel, Alegrete, Tupanciretã, Dom Pedrito e Bagé.

Menor proporção de unidades de conservação

O levantamento ainda indica que o pampa tem a menor proporção de unidades de conservação dentre todos os biomas brasileiros, com 3% do território protegido. Se forem descontadas as Áreas de Proteção Ambiental, uma categoria com menor grau de conservação, o percentual cai para 0,6%.  Com isso, o risco é que o pampa perca a capacidade de restauração ecológica com as variantes genéticas típicas dessas regiões.

Os resultados do mapeamento do bioma também trazem resultados sobre as queimadas e a superfície de água. No pampa, ao contrário dos demais biomas, as queimadas têm pouca expressão, com uma média anual de 92,5 quilômetros quadrados, o que é explicado pela ausência de uma estação seca, o baixo acúmulo de biomassa na vegetação campestre por conta da atividade pastoril e o fato de o fogo não ser utilizado culturalmente como uma prática de manejo nas áreas rurais.

A dinâmica da superfície da água entre 1985 e 2020 mostra uma tendência de estabilidade ao longo dos 36 anos mapeados. Quase 10% do pampa é ocupado por água, com 1,8 milhões de hectares em 2020. A maior parte se concentra na Zona Costeira, caracterizada pela presença de inúmeras lagoas, sendo que a laguna dos Patos, a lagoa Mirim e a lagoa Mangueira armazenam 81% do total de superfície de água do bioma.

Apesar da estabilidade na superfície de água, o mapeamento revela que na região da Fronteira Oeste e da Campanha houve um incremento de água com a implantação de açudes para irrigação, principalmente do arroz, enquanto nas porções centrais e a leste do bioma foram detectadas localidades com redução da superfície de água disponível.



 


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